Às vezes me pego pensando em como é complicado sentir, ou deixar sentir. Por mais libertos que somos nos sentimentos, percebo como é difícil, através de algumas situações inusitadas, nos mantermos neutros em relação ao novo. O novo sempre nos causa algum temor, por mais desejosos, por mais que tenhamos pedido o novo em nossas vidas. No entanto, não enxergamos que a vida não circula porque fechamos seu ciclo natural de nascimento e morte.
É preciso matar, ou ao menos deixar morrer para que haja renascimento, para que um novo ciclo se abra, para que a grande e esperada transformação aconteça. Muitas vezes os problemas se tornam maiores do que nós. Pelo menos é assim que nos sentimos. No entanto, quando começamos a vislumbrar um fio de coragem, algo mágico começa a acontecer.
É a habilidade do homem de lembrar-se do que nos diferencia.
Nós somos a única espécie que se preocupa com o passado.
Nossas lembranças nos dão voz.
Elas testemunham a história para que outros possam aprender.
Para que possam celebrar as nossas vitorias e ser advertidos sobre nossos fracassos.
Quando confrontados pelos nossos piores pesadelos as escolhas são poucas: lutar ou fugir.
Nós temos esperanças de encontrar a força pra lutar contra nossos medos.
Mas às vezes, mesmo sem querer nós fugimos.
E se o pesadelo nos perseguir?
Onde podemos nos esconder?



